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1 - O Bairro do Alto da Cova da Moura


 

 O Bairro do Alto da Cova da Moura, confunde-se na sua origem com a revolução do 25 de Abril e aparecimento dos primeiros retornados das ex-colónias portuguesas que, na altura, dada a independência a essas mesmas colónias, se viram obrigados a regressar ao país, em muitos casos sem condições para refazer as suas vidas. Não só o bairro, mas também, o próprio concelho espelha essa realidade do pós 25 de Abril de 1974. Inicialmente, foi a chegada das pessoas das ex-colónias e em paralelo, mas, em contínuo crescente até aos dias de hoje, a chegada de pessoas oriundas dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), especialmente de Cabo-Verde, sendo hoje vulgar dizer-se que a Amadora é a maior cidade cabo-verdiana do mundo! Se bem que os dados disponíveis não sejam totalmente fiáveis, eles apontam para que entre 15 a 20 mil habitantes do concelho sejam dessa proveniência. Trata-se de uma população ainda jovem, pois as comunidades recém chegadas são constituídas por pessoas em idade activa e respectivos filhos e tendem a apresentar taxas de natalidade muito elevadas. Relativamente ao bairro, é na década de 60 que surgem os primeiros moradores, mas, é só na de 70 que o fluxo é bastante significativo com a chegada de retornados provenientes, sobretudo, de Moçambique e Angola esperando, aqui, reconstruir aquilo que haviam perdido com a independência dos países onde durante anos tinham organizado as suas vidas com sacrifício.
Também, há um fluxo de trabalhadores vindos de vários pontos do país, que procuravam emprego em Lisboa.

Posteriormente, imigrantes de origem africana pertencentes aos PALOP. No bairro, e do mesmo modo que
aconteceu à escala nacional, os primeiros imigrantes que chegaram eram, sobretudo, de Cabo Verde e só na década de 80 e 90, em número mais visível, imigrantes de Angola, Guiné e São Tomé e Príncipe. Nos últimos anos a acrescentar os trabalhadores de Leste. Em 1990 a população residente no bairro era de 3.746, sendo que mais de 50% dos agregados são de origem africana e são os que maior número têm de pessoas por agregado. Actualmente, estima-se que sejam cerca de 6.000 habitantes, 60% são de origem africana e há uma elevada percentagem de população jovem no Bairro. Sendo que 50% desta corresponde à faixa etária abaixo dos 20 anos de idade. No entanto, começa-se a notar alguns sinais de envelhecimento que se pode atribuir à fracção dos primeiros habitantes do bairro, chegados na década de 70 e, por outro lado, a uma diminuição da taxa de natalidade das populações mais recentes.

A organização familiar é ainda muito forte sendo, no entanto, notória uma tendência para a diminuição do número de membros do agregado familiar.
As habilitações literárias da população são, em geral, baixas com a taxa de analfabetismo da ordem dos 10%, possuindo a maioria apenas a escolaridade básica, sendo os originários dos países africanos os que apresentam habilitações mais diminutas. Registam-se já, no entanto casos de sucesso com níveis de estudo mais elevados, possuindo alguns habitantes níveis superiores de educação. As casas do Alto da Cova da Moura têm uma construção recente em comparação com outros bairros quer do centro quer das áreas limítrofes da grande Lisboa, construções estas edificadas com muito empenho pelas próprias pessoas que nelas vivem de momento, travando uma grande luta para ver o sonho de uma vida realizado. A sua figuração complexa com várias artérias que se cruzam possibilitou, com o tempo, que zonas estratégicas dessem lugar a locais de encontro, pontos de sociabilidade, cafés, associações, largos. Estes pontos têm uma história própria, são espaços significativos na organização social de quem aí vive.

A população residente apresenta um
a taxa de actividade muito elevada e, ao contrário do que seria de esperar, apresenta-se muito equilibrada na razão homens / mulheres. Reparte-se entre o Secundário (1/3) e o Terciário (2/3), sendo o Primário praticamente inexistente. Algumas destas pessoas desenvolveram actividades por conta própria, muito contribuindo para isso a auto-criação de postos de trabalho dentro do bairro. De facto o bairro dispõe das mais diversas actividades comerciais, o que nos leva a crer que estamos perante um caso de quase auto-sustentação em serviços de proximidade.

Parte dos equipamentos e serviços
de lazer, educacionais e culturais existentes desenvolveram-se no bairro a partir da iniciativa da população que aí vive. Em conclusão, resta referir que no bairro auto-construído do Alto da Cova da Moura, na periferia de Lisboa, recriam-se processos de prevalência e de sociabilização. Originários de sociedades com modos de vida mais espontâneos, fragilizaram-se ao chegar ao bairro como "tripulantes" e actores sociais isolados. Aqui, reconstruíram redes de interacção e rituais de inserção social, uma forte componente de vida comunitária. Y A identidade de uma cidade é o reflexo do seu passado, a vivência do presente e as suas aspirações futuras. A sua diversidade e complexidade é determinada, não por alguns, mas, sim por todos os actores que dela fazem parte. É essa diversidade e complexidade que a torna diferente e lhe confere identidade e estimula a curiosidade dos visitantes que a alimentam na sua cultura, na sua economia... Esquecer o passado, o presente e por isso, o futuro do bairro Cova da Moura é voltar costas ao porquê dos retornados, ao fenómeno da imigração em Portugal, às raízes de culturas africanas que hoje desempenham um papel na nossa sociedade.


Hoje já são poucos os bairros com estas características, será que fica algum para testemunhar esse passado? 1) 1) Sensibilização à requalificação do bairro da Cova da Moura e não à destruição e consequente realojamento. 2 - Actividades desenvolvidas pela Associação Cultural Moinho da Juventude Ø Pais de bairro – Moradores com formação que apoiam e acompanham os pais na educação e cuidados a ter com os seus filhos. Pretende-se o envolvimento activo e responsável das famílias, na relação com a criança, na promoção do desenvolvimento global (psicológico, cognitivo e social), fortalecendo as sensibilidades das famílias para
com a aprendizagem da criança e a importância da sua motivação e estimulação. Ø Amas – Moradoras do bairro com formação adequada e com o acompanhamento de uma educadora acolhem crianças em casa na ausência dos pais.


Ø Centro de atendimento a crianças entre os 0 a 3 anos de idade – Em funcionamento desde maio de 2003 acolhendo 42 crianças. As auxiliares de acção educativa estão inseridas no processo do projecto “Emprego Apoiado”. Ø Jardim de infância - Sala para crianças de 3 / 4 anos de idade e sala para crianças de 5 anos. Ø Actividades Tempos Livres (ATL) – Preenchimento dos tempos não escolares de crianças entre os 6 a 12 anos. Ø Ninho de jovens – Espaço de encontro e convívio. É um sistema aberto e acção incide, sobretudo, nos jovens marginalizados. Ø Novos Horizontes – É um projecto que trabalha com crianças do ensino básico. O grupo é constituído por crianças oriundas de ambientes familiares, sócio-económicos e sócio-emocionais desfavoráveis, cujas as relações interpessoais e parentais são conflituosas, com antecedentes de vandalismo e pré-marginalidade. Ø Apoio escolar – apoio a adolescentes e jovens nos trabalhos escolares. Ø Espaço jovem – Espaço para jovens marginalizados e não só, onde se cimenta a amizade, convívio, jogos, música... é fundamental a consciencialização das responsabilidades. Ø Outros projectos e actividades culturais - Posto de Informação a Jovens, “Ta kai Ta Rabida”, “Bem Brinca Cu Nos”, “Kola san Jon” e Finka Pé. Ø Currículo Alternativo – Tem por objectivo garantir aos jovens que frequentam dificuldades de inserção escolar e onde está patente um grande absentismo escolar, um acompanhamento educativo mais individualizado, tendo em conta as suas características individuais, capacidades e potencialidades. Ø Alfabetização –Cursos de alfabetização para adultos. Ø Desporto – equipas de basquetebol, futebol e ginástica.

Ø Formação de jovens responsáveis – formação de jovens responsáveis dos grupos de jovens. Ø Formação de auxiliares de acção educativa – formação base e profissionalizante na área de Auxiliares de Acção Educativa. Ø Curso de agentes de Interligação – O objectivo é o de intervir a nível da violência doméstica no bairro. Ø Cursos de informática, português e matemática. Ø Formação profissional especial “Madeiras” – Formação de jovens com problemas de inserção escolar. O curso tem a componente escolar e a componente técnica de tra
balho. Ø Programa de apoio aos doentes dos PALOP - Formação de assistentes, familiares e organização dum lar de acolhimento. Ø Projecto de formação de mediadores - Formação de mediadores sócio-culturais revelando-se como protagonistas indispensáveis no diálogo com a comunidade, nos conflitos vividos no seio das famílias, no assumir por parte das minorias étnicas da cidadania plena, através do diálogo com órgãos autárquicos, escolas, centros de saúde, hospitais, serviços de estrangeiros, e outros organismos.

Ø Formação de formadores. Ø Acções de formação de jovens quadros (peritos da experiência) – o objectivo é o da prevenção da criminalidade juvenil, o tráfico de droga, a gravidez precoce. Ø Acções de formação a nível da prevenção da violência. Ø Acções de formação para professores, técnicos de entidades parceiras – promoção da “Teoria da Interligação” e a sua operacionalização numa perspectiva de prevenção da violência. Ø Unidade de Inserção para a vida activa (UNIVA) – O
objectivo é dar respostas à inserção laboral de jovens e adultos, através de um serviço informativo e de acompanhamento na recolha de informação, na procura de trabalho/ inserção profissional. Ø Projecto “emprego apoiado” – procura aumentar o acesso das pessoas em situação de desvantagem ao mercado aberto de trabalho (neste caso, são pessoas de origem africana). Ø Polo do Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências – Reconhecimento, validação e certificação de competências educacionais por via informal. Ø Validação das competências de funcionários da Acção educativa via internet, CD-rom ou manual. Ø Apoio a mães adolescentes – Acompanhamento, encaminhamento, informação, apoio jurídico... a mães adolescentes.

Ø Gabinete de legalização – A Associação assumiu a responsabilidade de apoiar as famílias nas burocracias da legalização. O projecto visa, também, permitir aos imigrantes, filhos deles e outros cidadãos, uma informação correcta sobre os seus direitos e deveres. Ø Membro da comissão de protecção de menores. Ø Outras actividades: Centro de documentação, cozinha e divulgação da cultura de Cabo Verde, através da promoção e venda de livros de autores cabo-verdianos. Das actividades desenvolvidas algumas vão ao encontro da filosofia da instituição: a criação de Serviços de Proximidade que contextualizada tem por objectivo a criação de serviços qualificados que respondam às necessidades de uma dada população, facilitando a criação de empregos para pessoas com baixos níveis de qualificação, que para tal recebem uma formação adequada, permitindo-lhes sentirem-se social e profissionalmente reconhecidos.

As actividades que podem ser criadoras de empregos são as que visam melhorar o bem estar das populações envolvidas, sendo criados com essa finalidade, empregos de serviços de ajuda na vida quotidiana. Ou seja, todo o tipo de trabalhos que normalmente são clandestinos e que podem ser reconhecidos. Assim, o conjunto das actividades que poderão ser criadoras de empregos, são as que visam melhorar o bem-estar através de uma proximidade objectiva (noção de proximidade geográfica) ou subjectiva (noção de proximidade relacional). Também, é sua filosofia a “Teoria da Interligação”, é uma concepção simples de prevenção da violência que defende que quem tiver um laço com o meio, não vai prejudicar esse meio. Na acção ela é aplicada, sobretudo, nas crianças de modo a transmitir e proporcionar-lhes um clima em que se sintam bem e a partir daí estabeleçam um laço com o meio. Pretende-se uma “interligação” com: ela própria; com os outros; com os objectos e matérias; como grupo, a sociedade e as culturas; e com a natureza (universo). É base essencial ao projecto comunitário da Associação Cultural Moinho da Juventude o conceito de “empowerment”. «Consideramos “Empowerment” o processo de indivíduos e grupos locais ou comunidades que vão desenvolver as suas capacidades e vão adquirir o poder de uma participação activa • para terem mais influência ou para serem capazes de enriquecer as suas vidas e a sociedade em que vivem, • para aumentar as suas capacidades de modo a poderem tomar decisões, duma maneira independente, sobre o que influência a sua vida e de modo a ter influência nas pessoas que decidem sobre eles numa aprendizagem crescente deles próprios.» Como suportes de base ao empowerment utilizam-se as metodologias “Planning for Real” e “Planificação da Intervenção Orientada para Objectivos”.

A primeira foi criada por Tony Gibson (que fundou há cerca de 20 anos a “Neighbourhood Iniciatives Foundation” na Inglaterra) com o intuito de descobrir os talentos e potencialidades, por vezes “escondidos”, dos moradores dos bairros desfavorecidos. Esta metodologia apela à participação dos moradores tendo como ponto de partida as experiências e prioridades das pessoas, os problemas concretos vivenciados quotidianamente por essas no seu contexto de vida. São as prioridades e objectivos definidos pelos moradores que orientam o agir do grupo dinamizador. A segunda é um método de planificação de uma actividade de desenvolvimento levada a cabo pela população em colaboração com uma organização. Tem por finalidade melhorar a planificação e a implementação de intervenções de desenvolvimento, permitindo definir objectivos claros e realistas, garantir um processo de planificação no qual as partes envolvidas na intervenção possam participar, melhorar a comunicação e cooperação entre todas as partes envolvidas e estabelecer claramente o âmbito da responsabilidade de cada parte.

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